14 de abril de 2024

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Agência Minas Gerais | Hospital da Fhemig traz esperança a casais que desejam ter filho

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O Ambulatório de Infertilidade do Hospital Júlia Kubitschek (HJK), do Complexo Hospitalar de Especialidades da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), oferece o serviço e atende pacientes de todo o estado. Nele são identificadas as causas da infertilidade e realizados os tratamentos e procedimentos para melhorar as taxas de gravidez, como alternativa à fertilização in vitro.

Carlos Henrique e Talita / Arquivo Pessoal

São feitas todas as intervenções de baixa complexidade, inclusive cirurgias, para tratar esse problema de saúde pública que atinge uma em cada seis pessoas no mundo, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). O serviço funciona duas vezes por semana – sendo um dia dedicado às cirurgias. Em média, são realizados seis procedimentos cirúrgicos por mês. Os pacientes são encaminhados via regulação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o ginecologista especialista em reprodução humana e coordenador do Ambulatório de Infertilidade do HJK, Fábio Costa Peixoto, em geral, as mulheres são mais encaminhadas aos serviços dessa natureza, se comparado aos encaminhamentos de homens. Em seu cotidiano de atendimentos, o médico percebe que, apesar dos avanços da sociedade, a cobrança permanece maior em relação às mulheres, embora as evidências científicas mostrem a igualdade entre mulheres e homens, no que diz respeito à prevalência de problemas ligados à fertilidade.

Doença do sistema reprodutor – tanto feminino quanto masculino, a infertilidade é a incapacidade de engravidar, após um ano ou mais de relações sexuais regulares e sem uso de métodos contraceptivos. Como um número significativo de outras doenças, ela também prejudica o bem-estar psicológico e social de ambos os gêneros. Para prevenir a incidência desse problema, é recomendado que homens e mulheres consultem o médico ao iniciar a vida adulta, a fim de investigar a presença de fatores que podem afetar sua fertilidade, quando não conseguem engravidar.

Principais causas

A infertilidade afeta igualmente homens e mulheres, respondendo cada um por 40% das ocorrências. Outros 20% atingem o casal de forma conjunta. Além disso, o percentual de casos de infertilidade se distribui de forma similar entre países de alta, média e baixa renda, variando de 17,8% – no primeiro caso, a 16,5% nos dois últimos, segundo dados do relatório da OMS.

Ainda de acordo com Fábio Peixoto, a causa mais comum de infertilidade da mulher brasileira é o fator tubário. “Os casais chegam ao ambulatório muito ansiosos e, na maioria dos casos, relatam uma longa espera por tratamento para terem o primeiro filho”, conta o médico.

O fator tubário é uma alteração nas tubas uterinas da mulher – antigamente chamadas de trompas de Falópio – que são fundamentais no processo da reprodução natural, por serem o local onde a fertilização é concretizada. Os danos a esses órgãos do sistema reprodutor feminino estão ligados a processos inflamatórios decorrentes de doenças ginecológicas ou infecções.

De modo geral, as principais causas da infertilidade estão relacionadas às tubas uterinas, aos ovários e à produção do sêmen. Os três respondem, juntos, por 75% dos problemas ligados à reprodução humana. Enquanto miomas, septo uterino, endometriose e fatores genéticos representam 15% do total. Os demais 10% são devidos a causas não aparentes, explica o coordenador do ambulatório.

A professora de matemática da rede pública e especialista em ensino fundamental Talita Stefânia Araújo Mendonça, 36 anos, vivenciou a dificuldade para engravidar por quase quatro anos. Pouco tempo após um aborto espontâneo em 2020, foi constatado que ela estava infértil devido a alterações em suas tubas uterinas.

A partir daí, Talita buscou solucionar o problema com o auxílio de profissionais na cidade em que vive com o marido, o metalúrgico Carlos Henrique Mendonça, 37 anos. Após as tentativas em sua cidade – que se estenderam por, aproximadamente, dois anos, a professora foi encaminhada ao HJK para sua primeira consulta no Ambulatório de Infertilidade, faltando apenas dois dias para o final do ano de 2022 – 29 de dezembro.

Talita e Carlos Henrique / Arquivo Pessoal

Da primeira consulta à cirurgia, foram necessários pouco mais de seis meses – em razão das vedações relacionadas à covid-19 – para que Talita se submetesse ao procedimento cirúrgico no dia 12 de julho de 2023. Ela engravidou 40 dias após a operação, e seu parto está programado para o dia 4/6 deste ano, quando, finalmente, terá nos braços o filho Ravi.

 Até ser encaminhada ao ambulatório, Talita nunca tinha ouvido falar do Hospital Júlia Kubitschek.  “A estrutura do hospital é muito boa e o atendimento foi maravilhoso. Agradeço a toda a equipe do médico Fábio Peixoto pelo tratamento, não só profissional como também humano; e a todos do hospital pelo cuidado nesse momento difícil pelo qual passamos – eu e meu marido”.

Retomada

A professora foi a primeira paciente a ser submetida à cirurgia no Ambulatório de Infertilidade do HKJ, após a retomada das cirurgias eletivas no hospital, suspensas em razão da pandemia da covid-19, cujo término foi decretado pela OMS em maio de 2023. Nos cinco anos anteriores – de 2015 a 2019, mais de 3,3 mil pessoas foram atendidas pelo serviço.

“Quando recebi a notícia de que estava grávida, fiquei sem acreditar e com muito medo de que pudesse acontecer algo novamente. Ficamos muito felizes e, ao mesmo tempo, muito ansiosos para que a gravidez prosseguisse de forma correta. Como eu e minha mãe não temos uma família grande e nem conhecemos parentes biológicos, sempre tive a necessidade de construir uma família sólida e grande. Não podemos desistir dos nossos sonhos. A medicina evoluiu bastante e temos que acreditar que é possível”, revela.

Talita conta que a história de vida de sua mãe motivou seu desejo de ter uma família numerosa. Com apenas dois anos de idade, a mãe foi trazida de Itapecerica para Divinópolis – ambas cidades de Minas, com apenas dois anos de idade. Após ser abrigada por uma família, foi encaminhada a um orfanato, onde permaneceu até os 18 anos. Ao deixar a instituição, ela morou em diversas casas e trabalhou como empregada doméstica em tempo integral. Tornou-se mãe aos 27 anos, e não pode contar com o apoio do homem que a engravidou. Durante a gravidez, sua mãe teve a ajuda da mesma família que a abrigou 25 anos antes, e que Talita considera como sua família também.

Complexidade

A idade da mulher é um importante fator que afeta a fertilidade, sendo aconselhável não adiar a maternidade para além dos 35 anos. Entre os 36 e 37 anos, a possibilidade de gravidez é de 20%, dos 38 aos 40 anos, são de 15%, entre 41 e 42 anos, de 10%. As faixas etárias de 43 e 44 anos têm 3% de chances e as mulheres com 45 anos têm apenas 1% de chance, nos casos de gravidez espontânea (gestação natural). Os tratamentos de alta complexidade compreendem a fertilização in vitro e a inseminação.  A estratégia do coito (relação sexual) programado integra o rol dos tratamentos de baixa complexidade e consiste no monitoramento da ovulação da mulher pelo médico, que indica os dias mais adequados para se ter a relação sexual (período fértil).

“O ambulatório de infertilidade do HJK representa um papel importante para a saúde pública, pois atende a pacientes de todo o estado em um contexto de grande demanda – há pessoas que aguardam de 10 a 15 anos para engravidarem. Ele também é fundamental na formação dos médicos residentes, ao possibilitar a capacitação desses profissionais na área da reprodução humana e, assim, assegurar que os usuários do SUS tenham acesso a um atendimento mais qualificado”, finaliza o médico Fábio Peixoto.

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